Preguiça editorial
Julho 19, 2007
O G1 – portal de notícias da Globo – noticiou ontem na seção Planeta Bizarro a história da jovem britânica que pôs sua virgindade à venda por 10 mil libras. Entre o lead e o texto, está escrito: “Do G1, em São Paulo”.
Como eu já tinha lido essa história há um certo tempo em algum jornal inglês, pensei “nossa, que legal, o G1 foi atrás da menina pra fazer a matéria”. Ledo engano meu. A matéria foi chupada de uma fonte secundária (Maltastar), e nem cita a fonte original da história. Como era de se esperar, a matéria do G1 não traz nenhum link.
A matéria original, do tablóide londrino People, é do dia primeiro de julho. A história foi reproduzida pelo G1 com mais de duas semanas de atraso, e provavelmente deve estar furada, já que não se encontram virgens à venda no supermercado.
É incrível a cara de pau dos portais brasileiros. Mais incrível é a falta de senso crítico dos leitores, que compram a história sem maior questionamento. Uma busca no Technorati por “Copestake” (pseudônimo da garota) traz 24 resultados. 21 são postagens feitas após a publicação do G1, e 19 citam como fonte o site Maltastar. Ou seja, ninguém se deu ao trabalho de buscar a história original.
Não acho que seja vergonha nenhuma, mesmo para o G1, usar material de outras fontes. Mas que pelo menos o faça com bom senso, dando os devidos créditos e links.
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1.
André Marmota | Julho 19, 2007 at 11:51 am
Muitos jornalistas realmente acreditam que “internet é como jornal”: é só escrever para as pessoas lerem. E não é bem assim. É possível fiscalizar essa turma, como você está fazendo. A questão é: até quando nossos colegas de imprensa vão pensar assim? Abração!