Archive for fevereiro, 2007

Até aqui

Todo mundo faz promessas de ano novo, até quem diz que isso é besteira (como eu, por exemplo). Promessa não, digamos que eu tracei um objetivo específico para o ano de 2007: ler ao menos 2 livros por mês. Consegui cumprir o objetivo em Janeiro, e em fevereiro dobrei a meta. Amanhã começo a comentar as leituras, hoje deixo somente a lista.

Janeiro

Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves

Cisnes Selvagens; 3 filhas da China – Jung Chan

Fevereiro

Gostaríamos de informa-lo que amanhã seremos mortos com nossas famílias – Philip Gourevitch

Sexo Anal, uma novela marrom – Luiz Biajoni

Com uma perna só – Oliver Sacks

Alice’s Adventures in Wonderland – Lewis Carrol

Atualização: li também em fevereiro “O Livreiro de Kabul”, de Asne Seierstad.

fevereiro 28, 2007 at 5:57 pm Deixe um comentário

The Blues Traveler

Blues Traveler

O mercado fonográfico mundial é composto por diversas espécies de músicos e bandas. Temos os grandões do mainstream (U2), os mezzo mainstream-mezzo alternativos (Coldplay), os alternativos descolados(!!!), os One-hit Wonders (Los del Río), os latinos que arrebatam o mundo (Shakira), etc, etc, etc…

E existem também os excluidos. São as bandas ou músicos que ninguém nunca ouviu falar, que nunca tocaram no rádio, nunca fizeram turnês gigantescas, e que basicamente você desconhece completamente. Até o dia em que ouve uma música, e pá!

Eu ouvi o Blues Traveler pela primeira vez no Lone Star (um boteco Tex-Mex em Sampa). Já tinha pedido a conta e estava de saída quando começou a rolar o que depois eu descobriria ser o álbum “Four”. Acabei ficando até o fim do disco.

O Blues Traveler é uma mistura de blues e rock, com um pouco de country music. Guitarras com riffs roqueiros, um vocal pra lá de maleável e muita, mas muita gaita mesmo. E vários duetos de gaita e guitarra.

O líder da parada é John Popper – vocalista, gaitista, letrista e principal compositor. Competentíssimo em todas as atribuições, mas muito como gaitista. O homem é um virtuoso, um monstro sagrado da gaita mundial, como diria o Faustão.

Da primeira audição no Lone Star até a aquisição de um disco dos caras, foi mais de um mês. O Blues Traveler foi lançado no Brasil, mas está praticamente esgotado. Achei o “Four” na Pop’s Discos (na galeria da Teodoro Sampaio) a R$ 32,00, e o “Truth to be told” na feirinha da Benedito Calixto a R$ 13,00!!!

Mas chega de papo e vamos ao que interessa: Crash & Burn, ao vivo no CBGB’s de NYC.

fevereiro 28, 2007 at 5:40 pm Deixe um comentário

A meia-entrada

Todo mundo conhece a famigerada carteirinha de estudante. Aquela verdinha, feita de PVC, com foto do titular e que beneficia o seu portador com 50% de desconto em espetáculos culturais e esportivos. Cinema, teatro, museus, shows e jogos de futebol pela metade do preço. Cortesia do governo federal, certo?

Errado. Quem paga o preço somos todos nós, de qualquer maneira. O governo brasileiro, como de costume, dá esmola com o dinheiro dos outros. O promotor do espetáculo que é obrigado a conceder 50% de desconto, não tem contrapartida alguma.

O resto é matemática pura. Suponhamos que a produção de um show tenha um custo total de 100 mil reais, entre cachê, aluguel do espaço, equipamentos de som e luz, segurança, bilheteria, etc. Suponhamos que o promotor queira um retorno de 20% do capital investido. Temos aí que o faturamento do show tem que ser de 120 mil reais.

Supondo ainda que a casa tenha capacidade para 2 mil pessoas, e que todos os ingressos serão vendidos, o preço unitário do ingresso deveria ser de 60 reais. Certo?

Errado, porque com ingressos a 60 reais, os estudantes pagariam apenas 30. Se 60% do público for de estudantes, a arrecadação total do show seria de 84 mil reais, o que não cobre nem o custo do promotor. O que se faz então? Simples, dobra-se o valor do ingresso. O show que custaria 60 reais para todos se não existisse a meia-entrada, vai custar 60 para os portadores de carteirinha e 120 para os não-portadores. E quem foi que pagou meia no final das contas? Ninguém.

E assim batemos recordes de preços em espetáculos artísticos. De 140 a 500 reais pra ver Roger Waters, 130 pro show dos Pet Shop Boys, sessões de teatro a 60 reais, e por aí vai.

PS: A situação já seria feia se apenas estudantes portassem a carteira de estudante. Mas é de conhecimento geral que não há nada mais fácil que conseguir uma mesmo sem nunca ter colocado a bunda numa cadeira de escola. Quem fiscaliza? Ninguém, é claro.

fevereiro 15, 2007 at 12:22 pm 2 comentários

Pequena Miss Sunshine

O avesso do American Dream se passa em uma kombi amarela, cruzando o interior norte-americano com uma família das mais desajustadas.

Olive é uma garota de 7 anos, gordinha e de óculos, que treina diariamente para participar de uma concurso de beleza mirim;

Grandpa é o vovô, viciado em cheirar heroína, viciado em pornografia e coreógrafo e treinador de sua neta;

Dwayne é o irmão de Olive, que obstinado em se tornar um piloto da Força Aérea, faz um voto de silêncio e passa nove meses sem dizer uma palavra, apenas para demonstrar toda sua força de vontade;

Richard e Sheryl são os pais de Olive e Dwayne. O primeiro tenta vender sua técnica motivacional dos 9 passos para se tornar um vencedor, enquanto a segunda é uma mãe desatenta, porém carinhosa.

Para completar a lotação da Kombi, temos Frank, irmão de Sheryl, recém saído do hospital após uma fracassada tentativa de suicídio.

É esse núcleo familiar que tem de sair de Albuquerque, no Novo México, e chegar a Redondo Beach, na California, para que a pequena Olive possa realizar o sonho de ser eleita a Pequena Miss Sunshine.

No caminho tudo dá errado, mas no fim tudo dá certo; pelo menos dentro das possibilidades de uma família como essa.

Nota: 8,5 – Trailer

fevereiro 15, 2007 at 11:41 am Deixe um comentário

Da Indignação

Maioridade penal aos 16 anos, pena de morte, linchamento público. A reação popular ao caso foi, como não poderia deixar de ser, proporcional à barbaridade do crime cometido.

São vários os fatores que causam tamanha comoção: a vítima é uma criança, corpo dilacerado, ossos aparecendo, algumas testemunhas, tudo acontecendo à luz do dia. A imprensa fez sua parte, com direito a entrevista dos pais no Fantástico; o garoto, hiperativo, foi retratado em alguns veículos como deficiente ou retardado, o que contribuiu para o aumento da indignação geral.

O grande problema é que nossa indignação é inócua, vista que não gera um movimento na direção de reduzir ou atacar o problema. No grau de colombianização que o Brasil vive, já é um insulto que a indignação popular só exista com a morte de uma menino de 6 anos arrastado por 7 quilômetros.

Por duas vezes no ano passado, a cidade de São Paulo ficou refém da bandidagem. Em menor escala, se passou o mesmo no Rio. O Rio, que assiste ao desalojamento de traficantes das favelas pela força de policias e ex-policiais trabalhando em esquema independente, tais quais free-lancers. São os mesmos policiais que não tiveram e não têm competência para fazer o mesmo oficialmente, com a lei de baixo do braço. O mesmo Rio que já conta com 138 vítimas de violência nesses 13 dias e meio de Fevereiro.

Me parece estranho que toda essa comoção tenha sido causada por um crime que, apesar de absurdo, não é necessariamente pior que qualquer outro tipo de assassinato. Foi estúpido, mas não mais estúpido que um casal queimado vivo dentro de um carro. Faltou respeito pela vida, mas não em um grau maior que quando um bandido puxa o gatilho com a intenção de matar outro bandido, ou um policial, ou a própria mulher que costurava pra fora.

Não sei se existe alguma diferença, mas nesse crime não houve a intenção deliberada de tirar uma vida. Ninguém falou “vamos matar o moleque”. Também não houve a menor preocupação com o fato de que o moleque morreria, mas deve haver alguma diferença entre “vamos mata-lo” e “deixemos que morra, depois a gente lava o paralamas”.

O fato é que estamos um tanto atrasados no quesito indignação popular, e talvez até tenhamos nos indignado pelo motivo errado. Precisamos de um mártir de 6 anos de idade para chacoalhar nossas idéias, e eu só espero que essa indignação não seja esquecida no próximo paredão do Big Brother.

fevereiro 14, 2007 at 5:29 pm Deixe um comentário


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