Archive for março, 2007

Cleptomania?

Imagina a quantidade de piadas de judeu que isso vai gerar.

Henry Sobel disse que foi um mal-entendido. Vai ter que processar o xerife de Palm Beach, que publicou a foto do rabino na net.

março 30, 2007 at 10:30 am 4 comentários

Zé Roberto

A superioridade do futebol do Zé Roberto em relação aos demais jogadores que atuam no país é tão gritante , que só faz comprovar o abismo que separa o futebol brasileiro do futebol europeu.

março 29, 2007 at 2:45 pm 2 comentários

Pai Andrada

Previsão pra hoje:

O Corinthians vai perder o jogo, com direito a chocolate, jogador expulso e quebradeira da torcida na Vila Belmiro.

Atualização pós-jogo: Errei na previsão da quebradeira. O chocolate não foi tanto, mas foi.

março 28, 2007 at 5:45 pm Deixe um comentário

A estudante e o vereador – Retrato de um país

sun.jpg

Todos devem ter ouvido a história da garota brasileira que foi capa do tablóide inglês “The Sun”. Pra quem não está a par, aqui está a matéria.

Ana Ferreira, 18, vive na Inglaterra e estuda Relações Internacionais. Vai a um clube em Bournemouth, encontra o príncipe na balada e tira uma foto com ele. Segundo ela, “estava meio alta”, e sentiu algo esbarrar em seu seio. Só quando viu a foto percebeu que tomou uma bela “pegada” do príncipe. Haja álcool pra não perceber uma pegada dessas.

O que faz Ana? Liga para o tablóide mais vendido do país e vende a foto, com direito a entrevista e foto de estúdio. Em momento algum se incomoda com a buzinada que tomou do príncipe, diz que até sua mãe achou a foto engraçada, e se gaba de ter ganhado um troco.

vereadores10.jpg Ao mesmo tempo, o digníssimo cantor mineiro e vereador de São Paulo Agnaldo Timóteo discursava na Câmara Municipal, condenando a ministra do turismo Marta Suplicy por prometer lutar contra o turismo sexual.

Segundo ele, o turista não pode ser culpado se “as meninas se preparam, botam roupinhas provocantes, vão para as esquinas, vêem um turista e levam para o motel”. Como se as putas (muitas vezes menores de idade) fossem as agentes, e os europeus que lotam os vôos para Fortaleza fossem vítimas, completamente dominados e enfeitiçados pela beleza e sexualidade da mulher brasileira.

Aí eu me pego pensando: como é que um cara desses consegue ser eleito vereador? E então me lembro que estamos no Brasil, e que é exatamente esse tipo de representante que nosso povo merece.

Isso é Brasil: um vereador da maior cidade do país defende o turismo sexual, enquanto uma estudante assediada por um príncipe de primeiro mundo vende fotos e fatura um troquinho.

março 28, 2007 at 3:08 pm 1 comentário

Portos, Igualdade Racial

Eu juro: todos os dias, quando leio o noticiário político, penso em publicar aqui algum comentário sobre a pataquada da hora do governo Lula. Mas eu me esforço pra não fazê-lo, porque não quero que esse seja um espaço exclusivamente político, e porque não quero ser acusado de perseguir o presidente.

Por essa razão não tinha comentado da bagunça nos aeroportos, do governo empurrando a Marta de um lado pro outro, nem do Geddel, nem do Franklin Martins, nem do vai-não-vai na agricultura, etc, etc, etc.

Mas hoje não deu pra segurar.

1- Ministério dos Transportes/Secretaria dos Portos

Pra conseguir encaixar todos os aliados no ministério, o governo Lula chegou ao cúmulo de dividir o Ministério dos Transportes. O controle dos portos deixa de ser responsabilidade do ministro, e fica a cargo da recém-criada Secretaria dos Portos. Vai pro PSB.

Já o resto dos Transportes fica com o PR, que chiou com a perda dos portos, mas deixou pra lá, sob risco de perder a boquinha.

2 – Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial

Já a excelentíssima ministra Matilde Ribeiro declarou em entrevista que negro não gostar de branco é normal, e que isso não é racismo. Claro que ela faz questão de dizer que não está “incitando isso” e que não acha “que seja uma coisa boa”.

Vindo da ministra que tem por objetivo promover a igualdade racial, vamos bem.

Atualização em 28/03/07: E a ministra ainda teve a cara de pau de dizer que foi citada fora de contexto. Ah, se esse país fosse sério…

março 27, 2007 at 3:45 pm 2 comentários

Cotas, vestibular, etc.

Ontem o Alex (LLL) pediu opiniões a respeito do assunto. Aí vai a minha.

Nunca fui a favor da política de cotas para minorias nas universidades. A princípio, não se repara uma injustiça criando uma outra. Por outro lado, algo há de ser feito; é inegável que os negros sofreram tamanha violência no passado, e que essa violência os afeta até hoje.

Não vou me prolongar muito discorrendo sobre o básico. Educação se altera pela base, não pelo topo; primeiro resolvem-se todos os problemas do ensino fundamental, depois os do ensino médio, e só então mexe-se na estrutura universitária. Mas estamos no Brasil, então falemos sobre a universidade.

O problema

O grande monstro do sistema universitário brasileiro é o seguinte: ricos estudam de graça em universidades públicas ou pagando caro em faculdades particulares de referência (ESPM, FGV, etc.); pobres estudam em faculdades particulares meia-boca, mais acessíveis. Por que isso?

Como os ensinos fundamental e médio públicos são uma porcaria, os mais pobres chegam ao vestibular sem condição de disputar com os mais ricos, que cursaram o ensino médio particular e talvez cursinhos preparatórios. Aos pobres, restam as particulares meia-boca, que não exigem mais que semi-alfabetização nos processos seletivos, e cobram mensalidades que podem ser pagas por jovens com um emprego diurno – secretárias, recepcionistas, atendentes de telemarketing e vendedores.

Muita gente defende que aqueles que possuem renda não deveriam poder cursar uma universidade pública, ou então deveriam pagar pelo ensino. Besteira. O rico tem exatamente o mesmo direito do pobre de estudar em universidade pública. O que precisa ser feito é possibilitar que o pobre consiga entrar, e não tirar o rico de lá.

Sabemos que é impossível oferecer vagas para todos os interessados; nem sei se isso seria interessante se fosse possível. O que deve haver é uma distribuição mais justa dessas vagas existentes. O vestibular tal qual é aplicado hoje favorece os ricos, que têm maiores condições de se preparar. Qual minha sugestão?

Uma possível solução

As universidades públicas manteriam a autonomia na elaboração, aplicação e correção das provas; a primeira alteração viria apenas na classificação. Cada instituição divulgaria (antes da prova, claro) a nota mínima exigida para se cursar a faculdade. 60% de acertos, por exemplo. Todos os que tiverem desempenho igual ou maior que 60% estão classificados. Os que obtiverem menos de 60%, desclassificados.

Entre os classificados, as vagas seriam sorteadas. Não importa que um loiro tenha estudado no Rio Branco e feito um ano de Anglo; ele ia disputar a vaga com o preto que estudou no EEEM Congonhas do Campo, na base da sorte.

Reparando injustiças

Agora começa a parte interessante: os classificados fariam um cadastramento para concorrer pelas vagas, fazendo uma declaração de raça (branco, negro, asiático, etc.) e apresentando (quando se aplicar) cópias das declarações de isento no imposto de renda do próprio, do pai e da mãe. Supõe-se que famílias que não recolhem imposto de renda têm renda baixa. Teríamos como resultado do cadastramento os seguintes grupos:

1 – NSR – Negros sem renda

2 – NCR – Negros com renda

3 – OSR – Outras raças sem renda

4 – OCR – Outras raças com renda 

Estando os classificados devidamente qualificados entre os 4 grupos, começariam os sorteios pelas vagas. O primeiro sorteio se daria exclusivamente entre o grupo 1(negros sem-renda), preenchendo 10% das vagas.  Completada a cota de 10% para o grupo 1, seria feito um novo sorteio, de 20% das vagas, para o grupo 3 e os não-sorteados do grupo 1. Se 10% das vagas ficaram reservadas aos negros pobres, esses 20% de vagas contemplariam os pobres como um todo.

A próxima rodada vai incluir, além dos não-sorteados dos grupos 1 e 3, o grupo 2. Somam-se assim aos negros pobres e ao pobres em geral, os negros com renda. Preenchem-se assim mais 10% das vagas.

A última rodada de sorteios vai incluir todos os grupos; dessa maneira ficamos com o seguinte resultado:

Os mais abastados – brancos ou asiáticos e com boa renda –  concorrerão no sorteio por apenas 60% das vagas.

Os negros, mas não pobres, ganham 10% a mais de chances, e concorrem a 70% das vagas.

Os pobres, mas não negros, aumentam mais 20 pontos sua oportunidade, e concorrem a 90% das vagas.

E os negros e pobres, que certamente enfrentaram o maior número de obstáculos para chegar aqui, disputam 100% das vagas oferecidas.

Os prejudicados 

Quem perde com a mudança? Certamente os brancos/asiáticos mais ricos, que perderão muitas vagas. Vai doer? Claro que vai. Mas esses podem cursar as universidades particulares de referência, já que poderão economizar um ou dois anos de cursinho. Esses serão os maiores perdedores, os cursinhos preparatórios. Com o fim do vestibular por classificação, ninguém mais precisa estudar pra tirar 9,8. A grande maioria dos alunos que frequentam cursinhos poderiam se classificar para a fase de sorteios tranquilamente após o término do ensino médio.

Conclusão

Acredito que dessa maneira se permite a correção de algumas injustiças seculares, e mais que isso, permite que a base da pirâmide social tenha maiores condições de subir na vida, diminuindo a enorme desigualdade que existe no país.

Alguém tem algo a acrescentar? A corrigir? Sim, é uma idéia radical. Sim, eu sei que isso nunca vai ser feito por aqui. Mas nem por isso eu deixo de pensar que essa seria a maneira mais justa de se distribuir as vagas de universidade pública e gratuita.

março 23, 2007 at 6:28 pm 2 comentários

Aborto

fetoEu entendo que as discussões sobre o aborto sejam apaixonadas, com religiosos fervorosos de um lado e feministas ferventes do outro. A classe médica tende a ser a favor da descriminalização em alguns casos.

Os religiosos acreditam que toda vida pertence a Deus, e assim sendo, apenas o Senhor tem o direito de por fim à vida de alguém.

As feministas acreditam que o corpo de uma mulher é inviolável, e o que se passa lá dentro é de responsabilidade extritamente pessoal. Logo, é da mulher a decisão sobre o que fazer com o que está em sua barriga.

A classe médica não é homogênea. Alguns estão mais para religiosos, outros mais para feministas. Mas em geral, os médicos defendem o aborto em casos de anencefalia, estupro e risco à vida da gestante.

Acredito que é completamente legítima a decisão dos pais (ou da mãe sozinha) interromper uma gravidez indesejada, por qualquer motivo que seja. Por outro lado, também acredito que é completamente legítimo o direito de viver do bebê. O ponto de distinção entre esses dois conceitos é definir aonde começa a vida.

O maior problema nas discussões sobre o aborto é justamente o da definição do momento onde a vida se inicia. Quem é contra o aborto costuma definir como início da vida o momento da concepção. A partir do momento que o espermatozóide fecunda o óvulo, uma vida foi gerada.

Já os defensores do aborto tendem a definir o nascimento do bebê como o início da vida, visto que antes disso ele não era capaz de manter-se vivo sem estar fisiologicamente ligado à mãe.

Confesso que é uma discussão ingrata, onde os dois argumentos são importantes, e verdadeiros. Mas isso não nos ajuda a chegar a uma conclusão.

Se é realmente complicado definir quando uma vida se inicia, por que não temos problemas pra definir o momento em que a vida acaba? Já é ponto pacífico que uma vida acaba quando a atividade cerebral é encerrada. A morte cerebral de um indivíduo é considerada a morte do mesmo.

Se aceitamos o fato de que uma vida acaba quando se extingue a atividade cerebral de um indivíduo, deveríamos aceitar também que a vida se inicia quando a o feto passa a apresentar atividade cerebral. Logo, um feto deveria ser considerado um ser vivo apenas após o desenvolvimento de seu sistema nervoso central e a consequente existência de atividade encefálica.

A partir daí, define-se que todo e qualquer aborto antes desse momento é permitido, e a decisão fica 100% a critério da mãe. Após a primeira atividade cerebral, o aborto fica proibido, e é responsabilidade da justiça punir a mãe e/ou os médicos que o realizarem.

Mas ainda temos uma pegadinha: como é que vamos fazer pra saber se o feto já tem atividade cerebral sem gastar uma fortuna com exames complicadíssimos em cada caso?

Os estudos sobre o desenvolvimento fetal mostram que apenas na 28a semana de gestação o feto tem seu sistema nervoso desenvolvido o suficiente para controlar algumas funções corporais. Assim, nenhum feto pode ser considerado um ser vivo antes da 28a semana.

 Mas vamos imaginar que esse estudo possa estar errado por uma enorme margem de 20%. Consideremos então que a vida começa um pouco antes, na 22a semana. E ainda podemos considerar que esse seja um número médio, e que um feto pode se desenvolver 20% mais rápido que a média. Chegamos à conclusão que não existe vida antes da 17a semana de gravidez.

Logo, o aborto deveria ser permitido de maneira irrestrita até o 4o mês de gravidez. A partir daí, seria permitido apenas em caso de risco de morte da gestante.

março 22, 2007 at 11:26 am 2 comentários

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