Archive for junho, 2007

Nudez, homossexualismo e o machismo no futebol brasileiro

Dois eventos que devem ocorrer nas próximas semanas podem mudar para sempre o futebol no Brasil. Se a mudança será para pior ou para melhor, ainda não se sabe.

O primeiro é a nudez da auxiliar de arbitragem Ana Paula de Oliveira. A bandeirinha anunciou na semana passada que assinou contrato com a revista masculina Playboy e será capa da revista na edição de julho.

O segundo evento, e provavelmente de maior repercussão, é a possível entrevista de um jogador de um grande clube paulistano para o Fantástico assumindo sua homossexualidade.

O futebol é um universo extremamente machista. A escalação de mulheres na arbitragem há poucos anos atrás gerou uma discussão enorme, e felizmente, a atuação delas em campo tem sido bastante satisfatória. Mas sempre que acontece um erro (e eles acontecem), paira aquela desconfiança silenciosa acerca do sexo da árbitra ou da auxiliar.

Agora é a questão da nudez de Ana Paula; comentaristas, jogadores e técnicos se manifestaram, alguns se posicionando duramente contra a decisão, com o argumento de que a bandeira quer aparecer demais. Já outros questionam uma possível perda de respeito da auxiliar em campo, porque os jogadores a teriam visto nua. Bobagem.

Hortência deixou de ser a rainha do basquete brasileiro por ter posado nua? Deborah Secco perdeu o respeito dos profissionais da TV por ter sido capa de não uma, mas duas edições da Playboy? A verdade é que a aparição de Ana Paula na Playboy vai dar a todos uma visão mais real da questão do machismo no futebol.

Aqueles que sempre respeitaram Ana Paula como auxiliar, seguirão respeitando da mesma maneira. Aqueles que já não respeitavam e não aceitavam uma mulher em posição de autoridade, terão a deixa para desqualifica-la.

O caso da entrevista do jogador é muito mais delicado. Sua homossexualidade já é conhecida há algum tempo no meio do futebol, como ficou claro no programa do Milton Neves de ontem. Mas uma coisa é não negar a homossexualidade, e outra completamente diferente é assumir essa posição em um programa dominical na rede de maior audiência do país.

Eu sinceramente espero que essa entrevista aconteça. E aí conheceremos a verdadeira índole de diversos jogadores, treinadores e dirigentes do futebol. Eu gostaria muito de ver o técnico do time dando uma entrevista coletiva e defendendo a escalação do jogador porque uma coisa não influencia a outra, ou então comunicando na entrevista que afastou o jogador por causa de seu “problema”. Eu quero muito ver a declaração do dirigente do time, e a postura do clube na hora de renovar ou não o contrato do jogador.

Já está mais do que na hora do futebol se modernizar não só na regra, na tática e no marketing. É hora do futebol se modernizar também no aspecto humano. É hora do futebol aprender a aceitar a diferença de sexo e de sexualidade, ao invés de punir.

E espero que no próximo mês possamos assistir, antes do início de uma partida, ao cumprimento entre uma árbitra que posou nua e um jogador assumidamente homossexual.

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junho 27, 2007 at 6:05 pm 6 comentários

A tia dos cachorros

tia_c.jpg

Na Av. Dr. Arnaldo, em São Paulo, fica o cemitério do Araçá. Na calçada da avenida, colado ao muro do cemitério, vive a tia dos cachorros.

A tia dos cachorros é a mulher da foto acima. Ela vende água, cerveja e refrigerantes, que ficam guardados no isopor cuja pontinha aparece do lado esquerdo da foto. Ela também vende doces, balas e salgadinhos.

Na foto, você pode ver que há 3 cachorros sob a lona preta. Mas a tia dos cachorros cuida de pelo menos o dobro, que vivem por ali, e dormem dentro da barraquinha. A tia dorme do lado de fora, sentada em uma cadeira. Muitas vezes ela passa as noites de pé mesmo, porque um dos seus cães resolveu dormir em cima de sua cadeira.

Não uma nem duas vezes, vi a tia dos cachorros de pé sob a chuva, enquanto seus cães descansavam confortavelmente protegidos debaixo da lona.

Imagino que a prefeitura já tenha tentado tirar a tia de lá. E tenho quase certeza que ela tenha se recusado a ir para um albergue, pra onde não poderia levar seus cachorros.

E eu duvido, realmente duvido que a tia dos cachorros saiba que sua imagem foi usada em uma campanha publicitária. Duvido que a pessoa que a fotografou chegou a conversar com ela, quem dirá pagar cachê.

Porque pode até parecer uma defesa dos sem-teto, mas não passa de demagogia pra defender empresas de outdoor. E não tem nada mais feio que fingir defender uma mulher sem-teto com o objetivo de lucrar.

E é claro que aquele outdoor nunca existiu.

Fonte: Alex

Atualização: de acordo com a leitora Raquel, a tia tem sete cachorros e está pedindo ajuda para voltar à sua cidade natal, no Maranhão, com seus bichinhos de estimação.

junho 27, 2007 at 9:46 am 3 comentários

Estagiário na tradução (e na revisão)

Vi essa matéria no portal Estadão sobre as partes 3 e 4 de Kill Bill. E achei muito estranha a trama da terceira parte: “contará a vingança dos dois assassinos cujas armas e olhos foram destroçados a machadadas…”

Eu assisti Kill Bill umas dez vezes. Beatrix Kiddo (A Noiva) não ataca ninguém a machadadas. Uma assassina sobrevivente é Elle Driver, cujo olho Beatrix arranca com os dedos. Outra sobrevivente é Sophie Fatalle, assistente de O-Ren Ishii, que tem os braços cortados (supostamente) pela espada de samurai de Beatrix.

Ainda antes de procurar a notícia original, já imaginei o erro. “arms and eyes” foi traduzido por “armas e olhos”. Busquei no Google por “Kill Bill 3″+”arms and eyes”. Bingo.

Mas não foi só isso. A nota do Estadão tem como fonte a agência de notícias espanhola EFE. Além do Estadão, também publicaram a nota mal-traduzida os portais G1, Terra e O Globo. Resumindo: a sucursal brasileira da agência EFE traduziu porcamente a nota, e os veículos brasileiros a publicaram sem revisar e corrigir o erro.

Como blog também é serviço, vai aqui uma tradução decente do parágrafo em questão:

“Durante o festival internacional de cinema de Shanghai, Bennett Walsh disse que o terceiro filme inclui a vingança de dois assassinos cujos braços e olhos foram destroçados por Uma Thurman nas primeiras partes.”

junho 25, 2007 at 11:37 am 1 comentário

Mais Spam

Hoje a coisa foi mais tranquila: apenas 1.077 mensagens na minha caixa de e-mails.

junho 22, 2007 at 9:33 am Deixe um comentário

É recorde!

Recebi entre o fim da tarde de ontem e a manhã de hoje nada menos que 1.907 spams no e-mail.

Ainda não estou crendo nisso.

spam.jpg

junho 21, 2007 at 11:26 am Deixe um comentário

Riquelme, rei da América

riquelme2.jpg

Pela sexta vez na história, o Boca Juniors conquistou a Taça Libertadores da América. O Grêmio não teve a menor chance na partida de ontem. Em absolutamente nenhum momento do jogo o time gaúcho deu sinais de que poderia virar o placar adverso de Buenos Aires.

Por sua vez, o time porteño fez tudo como dele se esperava. Tocou bastante a bola, não deu espaço para o ataque tricolor, e cozinhou o galo o quanto pôde. E Riquelme, de novo, foi o nome do jogo. Aos 24 do segundo tempo mandou no ângulo um chute cruzado do bico da grande área, numa jogada parecida com a que Diego Souza acertou o travessão. Dez minutos depois fez o segundo, após deixar Palácio na cara de Saja e definir no rebote.

Se depois do primeiro gol o Grêmio deu uma abalada, após o segundo desmontou de vez. Palermo ainda se deu ao luxo de chutar pra fora o penâlti sofrido por ele mesmo perto dos quarenta minutos, e se tivesse apertado um pouco, o Boca sairia de Porto Alegre com quatro ou cinco gols, tamanho o desânimo tricolor. Lúcio ainda ensaiou um vexame no final, pegando Palácio por trás, mas no fim o Grêmio soube aceitar a derrota.

Pra um time que jogou a Série B em 2005, o vice-campeonato da Libertadores em 2007 é um ótimo resultado. Aliás, pra qualquer time que não tenha Riquelme, o vice estaria de bom tamanho.

Detalhe: das seis conquistas do Boca Juniors, quatro foram contra clubes brasileiros: Cruzeiro (1977), Palmeiras (2000), Santos (2003) e Grêmio (2007); as três últimas decididas em partidas no Brasil.

junho 21, 2007 at 10:12 am Deixe um comentário

Shrek Terceiro

shrek3.jpgÉ um pouco melhor que o segundo, mas bem abaixo do primeiro. Em Shrek, o original, todas as piadas e referências ao mundo fantástico dos contos de fadas eram inesperadas pelo público, e justamente por isso, absurdamente engraçadas. Em Shrek 2 e nesse Terceiro, você já sabe o que vem pela frente, e apesar de continuar engraçado, nada mais surpreende.

Destaque para a trilha: um coro de sapos canta “Live and let die” durante o funeral do rei Harold, e “Joker and the thief” – da banda australiana Wolfmother – é o fundo sonoro da invasão de Far Far Away pelos vilões.

junho 21, 2007 at 9:46 am Deixe um comentário

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