Harry Potter – o fim da saga

Terminei de ler nesse final de semana o último episódio da série Harry Potter. E não tenho vergonha nenhuma de dizer que gostei muito, muito mesmo. Não é uma obra literária revolucionária, mas tem muitas e enormes qualidades. J.K. Rowling conseguiu criar uma fábula maravilhosa, comparável a outros sucessos como Guerra nas Estrelas e O Senhor dos Anéis. E com a incrível vantagem de estar ancorada no público infantil.

Harry Potter é um herói, mas antes de tudo é humano. Sente dor, fome, raiva, e é capaz de agir com enorme mesquinharia. Magoa os amigos, e às vezes se deixa levar pelo egoísmo e pelo orgulho. Eu não consigo me lembrar de outro personagem que tenha mostrado às crianças que heroísmo não é perfeição. Que perfeição não existe, e que o verdadeiro herói é aquele que sabe reconhecer e superar suas limitações e defeitos.

A rigor, não existe nenhum elemento novo na história do bruxo. Todos os arquétipos junguianos estão presentes: o herói, o vilão, o mentor, o arauto; bem como estão presentes os valores mais básicos da humanidade como amor, lealdade, respeito e amizade. E justamente por isso é universal: qualquer pessoa, de qualquer cultura, criança ou adulto, entende o conflito do herói e se envolve com a história. E por alguns dias, vive a emoção de ser um bruxo.

Anúncios

agosto 27, 2007 at 7:00 pm Deixe um comentário

Programa Bolsa Família: 1/4

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome divulgou ontem um relatório com o perfil das famílias atendidas pelo programa Bolsa Família do Governo Federal. O relatório traz informações bastante interessantes.

A mais chocante é também a mais básica: o número de pessoas atendidas. São 45.889.911 cidadãos que recebem dinheiro do governo federal. De acordo com o último Censo realizado no país, a população total é de 169.799.170. Vamos dizer que a população tenha crescido 5% de 2000 até hoje, e arredondar pra cima: 180 milhões de pessoas vivem no Brasil. Dessas, 45 milhões precisam de ajuda governamental pra sobreviver. O número corresponde a 25% da população.

De cada 4 brasileiros, 1 é atendido pelo Bolsa Família. E eu, honestamente, não consigo julgar se isso é bom ou ruim. É uma tragédia que 1/4 da população precise desse tipo de ajuda, e seria pior ainda sem o programa. Mas o governo não deveria estar trabalhando pra aumentar a economia e diminuir a ajuda ao invés de aumentar a carga tributária pra poder aumentar a ajuda? O governo trabalha pra tratar os sintomas, mas não se preocupa em curar o paciente.

Ainda assim… são 45 milhões de pessoas a menos morrendo de fome. Mas o governo não deveria estar investindo em educação, pra que menos pessoas precisem do Bolsa Família? Não deveria estar investindo em infra-estrutura? Energia, transporte? Não deveria estar desonerando a produção pra gerar crescimento? Não deveria diminuir os encargos trabalhistas pra aumentar o emprego?

O governo deveria fazer tudo isso, é claro. Mas já que não se faz o que se deve, pelo menos 45 milhões de pessoas levam uma vida menos miserável.

Só que nessa toada, logo logo metade do país pagará impostos pra sustentar a outra metade.

Como vocês podem ver, eu tenho muito mais dúvidas que certezas. Se é que tenho alguma certeza.

agosto 22, 2007 at 11:12 am 2 comentários

Deixe estar

let-it-be-cover.jpgDepois da morte de Brian Epstein, a maionese dos Beatles começou a desandar. Faltava a eles alguém que controlasse os negócios e o dinheiro sem que o trabalho artístico ficasse comprometido. Quando tomaram a decisão de se auto-empresariar, perceberam que não existe negócio que resista à administração de 4 pessoas diferentes.

Aos poucos, Paul McCartney foi tomando as rédeas e assumindo o controle. Afinal de contas, alguém tinha que fazer o trabalho. E sejamos justos, quando comparamos a trajetória solo de cada um deles, fica claro que Paul realmente era o mais indicado para o serviço. Mas nem sempre a melhor solução é a solução possível.

E esse foi um dos motivos (entre vários outros) pelo qual a banda rachou. E foi com a banda trincada que eles gravaram Let it Be.

A impressão que eu tenho ao assistir o filme, e ao ver as fotos, é que eles não estavam se divertindo. Tirando McCartney, eles parecem o tempo todo meio emburrados, meio tristes. É impossível saber o que se passava nos estúdios de Twickenham e da Apple, mas o clima certamente não era dos melhores.

let-it-be-02.jpg let-it-be-01.jpg

Ainda assim, o resultado final não fica abaixo do que se espera de uma banda como os Beatles. As músicas são mais pessoais; Across the Universe e Dig a pony são músicas de Lennon. I me Mine e For you blue são certamente George Harrison. Get Back, Let it be e the Long and Widing Road são o mais puro McCartney. Poderiam estar nos discos solo de cada um.

paul-long-wi.jpg

Mas a grandiosidade de Let it Be está em Two of us, One after 909 e principalmente em I’ve got a feeling. A primeira é de Paul, mas com uma levada folk com a cara de Lennon, e com vocais belamente dobrados. One after 909 é dos primórdios dos Beatles, resgatada dos tempos de bebedeira e amizade juvenil de Hamburgo. São velhos amigos que se encontram e relembram como era divertida aquela época.I’ve got a feeling reencontra os melhores momentos de Lennon e McCartney. Provavelmente é a junção de duas composições, uma de cada um. Paul deve ter escrito o trecho inicial enquanto a segunda parte é de Lennon. E no final as duas se sobrepõe, cada um cantando a sua parte, mostrando que melhor que Lennon e McCartney é Lennon+McCartney.

Terminado o álbum, eles fizeram o famoso show no telhado do prédio da Apple Corps. E lá, pareciam amigos novamente.

rooftop1.jpg

Velhos amigos se divertindo, simplesmente fazendo um som juntos. Sem ter que pensar em dinheiro, imposto de renda, briga de egos, esposas. Lá em cima eles não eram “The Beatles”, eram 4 amigos fazendo um som. E nisso eles eram – e ainda são – imbatíveis.

agosto 16, 2007 at 11:48 am Deixe um comentário

O ministro do conforto aéreo

Esqueci de comentar no início da semana…

O recém-empossado Ministro da Defesa Nelson Jobim já meteu o nariz aonde não é devido. Quer que a ANAC verifique e regule o espaço entre as poltronas dos aviões.

Será que ele desconhece o conceito de classe executiva e primeira classe?

Ou será que ele não sabe que maior espaço entre as poltronas significa menos passageiros por avião, e consequentemente aumento no preço das passagens?

Se bem que essa seria uma ótima solução pra resolver o problema: aumenta-se o preço de todas as passagens aéreas; o movimento vai diminuir, e não teremos mais superlotação nos terminais e sobrecarga de trabalho dos controladores.

Melhor ainda: ao invés de simples aumento de preços, o governo cria a CPMA (contribuição permanente movimentação aérea) – uma taxa de 100% sobre o valor do bilhete. Assim, além da diminuição drástica no número de passageiros, ainda entra uma receitazinha a mais pro pessoal de Brasília.

Só nesse país mesmo…

agosto 15, 2007 at 10:19 am 1 comentário

Somos todos macacos

macaco.jpg

O pessoal se indignou com a campanha do Estadão “Por onde você tem clicado, hein?”. Aquela, que diz que blogueiros são chimpanzés, ou gordos, ou nerds, ou esquizofrênicos, ou tudo junto. Quem usou seu próprio blogue pra fazer anti-campanha só fez acusar o golpe, vestir a carapuça mesmo.

Vamos lá: 90% dos blogues são um lixo total e completo. Daqueles que não são um lixo completo, 90% é escrito por pessoas que absolutamente não dominam a língua portuguesa. O 1% restante talvez seja interessante o suficiente para valer uma assinatura do feed, mas deve ser escrito por um nerd. No fim das contas, a campanha do Estadão está coerente com a realidade.

Eu? Sou macaco assumido, e bem resolvido com meu status de símio.

agosto 14, 2007 at 11:42 am Deixe um comentário

Muy amigo

A Mattel, dona da famosa marca de brinquedos educativos Fisher-Price, ordenou um recall para 83 produtos vendidos no mercado norte-americano. São 967 mil unidades cuja tinta contém nível de chumbo acima do permitido. Os produtos foram todos feitos na China, e o prejuízo deve chegar a 30 milhões de dólares.

A Lee Der Industrial Co. Ltd, fabricante os brinquedos, além de perder sua licensa de exportação, terá que arcar não apenas com o prejuízo do recall realizado pela Mattel, mas também com pesadas multas por quebra de contrato.

O que fez o dono da empresa? Enforcou-se. Zhang Shuhong foi encontrado morto no sábado em um armazém da empresa.

De acordo com funcionários da Lee Der Industrial, a empresa que forneceu a tinta utilizada nos brinquedos pertencia ao melhor e mais antigo amigo de Zhang.

Agora pense no seu melhor amigo. Qual o pior mal que ele pode te causar? Bater seu carro? Roubar sua mulher? Pedir dinheiro emprestado e não devolver? Pois o melhor amigo do chinês vendeu tinta contaminada e acabou causando um prejuízo de mais de 30 milhões de dólares e o cancelamento da licensa de exportação da empresa. Em última análise, causou a morte de Zhang.

Isso tudo porque eles eram melhores amigos.

agosto 13, 2007 at 12:20 pm Deixe um comentário

Obstaculização

Essa é a palavra que a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) inventou em entrevista à CBN São Paulo hoje cedo:

“Precisamos acabar com a obstaculização das investigações contra o senador Renan Calheiros” 

“O governo do presidente Lula está prestando um  desserviço ao país com a obstaculização das investigações”

“A  obstaculização das investigações tem que acabar!”

agosto 13, 2007 at 9:11 am 2 comentários

Posts antigos Posts mais recentes


Feeds